segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O telespectador está mais crítico

famlia-na-tvO sobe-desce do Ibope na medição da audiência das telenovelas faz a gente pensar. Como diz um entrevistado no site de Veja, pode-se dizer que há uma “guerra de valores” entre os conteúdos de “Os Dez Mandamentos” (da Record) e “Cúmplices de um Resgate” (do SBT), ambas com audiência em alta, e “A Regra do Jogo” (Globo), que perde público. A violência presente nas novelas da Globo estaria afastando telespectadores para produções menos agressivas.

Na nossa opinião, isso ocorre, sim, mas a discussão não está bem conceituada. É evidente que o festival de agressividade causa repulsa em quem deseja entretenimento sadio. A dança das audiências é um sinal enviado pelo público que pode ser resumido assim: causar sensações expondo conteúdos violentos não é mais sinônimo de audiência. O nível de consciência e de consumo crítico da mídia parece estar em alta entre os brasileiros.

A discussão, no entanto, não deve se limitar às flutuações do Ibope. A mídia interfere profundamente na realidade ao estimular comportamentos e posturas. Não é à toa que o mercado publicitário movimenta tanto dinheiro. O desafio dos produtores de mídia é construir conteúdos que ajudem no desenvolvimento da sociedade e ao mesmo tempo sejam atrativos para o público.

Não é apenas um dever profissional e cidadão. A Constituição brasileira prevê em seu artigo 221 que a programação das TVs e rádios atenderão aos objetivos de promover “finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”.

É evidente que as mazelas da sociedade devem ser tratadas. A diferença está em mostrar problemas e provocar reflexões, mostrando consequências, ou apenas causar sensação para buscar audiência.

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terça-feira, 24 de março de 2015

A linha tênue entre jornalismo investigativo e entretenimento

A Folha de domingo (22) traz matéria (confira aqui) que discute a linha tênue entre jornalismo investigativo e entretenimento. Em alguns casos, a própria investigação oficial é atrapalhada pelas apurações jornalísticas. Mas o ponto principal não é esse, a nosso ver. O desafio é pensar os motivos pelos quais somos atraídos por histórias macabras, que mostram os extremos de violência que o ser humano é capaz.

Cabe refletir: isso é saudável? Há consequências? Inúmeros estudos mostram que a mídia desperta atos violentos em pessoas pré-dispostas. Outra consequência relacionada: os criminosos ficam glamourizados, uma espécie de pop stars. A nosso ver, esse deve ser um tema em discussão tanto de comunicadores como do público, que pode ver a programação com olhar mais crítico. Concorda? Compartilhe!

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quinta-feira, 19 de março de 2015

Comunicação pública ou partidária?

O documento interno da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (veja aqui) é chocante sob vários aspectos. Este blog chama a atenção para um deles: a descrição franca do uso de recursos de comunicação públicos (que deveriam ser de todos) para uso partidário (particular, portanto). A ponto de descrever Agência Brasil, Voz do Brasil e páginas oficiais do governo nas redes sociais como produtoras de “munição” para uso partidário. A ponto de defender a concentração de verbas publicitárias em São Paulo, onde os protestos são mais intensos.

Isso não é novidade, nem exclusividade do PT. No Brasil, os recursos da comunicação estatal são usados largamente, por todos os governos, na sua promoção partidária. Estamos falando de muitas estruturas, milhares de funcionários públicos envolvidos, e verbas que, considerando todo o Brasil e os três níveis de governo, chegam a R$ 5 bilhões. É muito dinheiro e muita energia para ser usada de forma tão estreita, para beneficiar tão poucos.

O Brasil precisa de uma comunicação pública de verdade. Verbas e energias voltadas para tratar dos assuntos concretos dos cidadãos: educação, saúde, segurança, cidadania. Campanhas direcionadas para mudar comportamentos negativos e estimular posturas positivas dos cidadãos. Trabalhos que envolvam a sociedade civil e os movimentos que, de verdade, querem mudar para melhor aspectos da nossa vida.

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