sexta-feira, 21 de junho de 2013

O vintecentavismo acordou o gigante

vintecentavismo

Muitos ainda não compreendem a forma e o poder com que as redes sociais atingem a sociedade, seja de forma positiva, ou negativa. Vimos nesses últimos dias uma mobilização nacional, impulsionada predominantemente pelas redes sociais – mais precisamente pelo Facebook- onde eventos criados pelo movimento “Passe Livre” alcançaram um grande número de pessoas virtualmente conectadas.

Em diversas oportunidades de manifestações organizadas pelo meio digital no Brasil, praticamente nenhuma conseguiu essa mobilização e o número de confirmações dos protestos que vimos nesta semana. Nosso país pré-protesto era visto como do falso ativismo digital, onde milhares expunham suas ideias no ciberespaço, porém permaneciam ali.

Diferente do país do futebol do samba e da alegria, outras nações já mostraram sua força através das mídias digitais e praticavam o ciberativismo, até mesmo onde há um rígido controle da mídia. Foi o caso da “Primavera Árabe” que ocorreu no Irã. Manifestantes da web 2.0 driblaram as formas de censura e protestaram nas redes contra a reeleição de Ahmadinejad, postando vídeos e fotos através das redes.

O vintecentavismo aqui no Brasil, que impulsionou toda essa revolta e despertou o “gigante”, termo utilizado pelos manifestantes através de #hashtags, demonstrou através dos milhares de manifestantes uma nova forma de comunicação, multiplamente conectada, com a organização de manifestos sem líderes, descentralizada. Nada parecido com esse movimento foi visto no Brasil desde os “caras pintadas”. Naquela época, as manifestações foram mobilizadas pelas mesas de bar, grupos de encontro e no boca a boca. Hoje, tudo acontece através das redes sociais. Será que essas novas formas de mobilização nacional, pela trama da web podem transformar a esfera político/social do país?

Em entrevista a rádio CBN o criador da Escola de Redes, Augusto Franco, comenta que as velhas estruturas do país não são mais capazes de regular a sociedade. “As velhas estruturas políticas, jurídicas e sociais não dão mais conta de regular uma sociedade crescentemente interativa”. Podemos estar nos deparando com uma revolução na forma de regular a comunicação e a sociedade, através do meio digital.

É um fenômeno que já começou e que chamou a atenção das autoridades. A Agência Brasileira de Inteligência começará a monitorar de forma mais rígida as redes sociais para prever essas ações. Nos Estados Unidos, o governo é acusado de violar a privacidade das pessoas em suas políticas de segurança.

Nesse momento, as questões da privacidade do cidadão entram em pauta. Até que ponto esse monitoramento pode ser feito? Vamos ser vigiados 24 horas na rede? Autoridades irão invadir nossas mensagens e nossos posts? Não sabemos, só o tempo e a instauração desse tipo de mobilização virtual irá mostrar.