terça-feira, 5 de março de 2013

Uma sugestão aos governos

Esse post é uma sugestão para que governos em todos os níveis realizem, com mais frequência, campanhas de comunicação de efetivo interesse público. Para tanto, basta mobilizar o que os governos têm de mais poderoso: o prestígio e a capacidade de articulação. São ações que não precisam de verbas.
A ideia central é que mobilizem veículos de mídia, ONGs, órgãos públicos, ativistas sociais e empresas, assim como o universo da internet, em torno de causas de grande interesse público, transformadas em campanhas de comunicação.

Essas causas e campanhas podem ser definidas de acordo com as diretrizes de cada governo. São temas como, por exemplo, o descarte consciente do lixo (prevenindo enchentes, preservando o meio ambiente e tornando as cidades mais agradáveis); o combate ao consumo excessivo de álcool (problema de saúde pública relacionado à criminalidade, desagregação familiar e acidentes); promoção da saúde estimulando hábitos saudáveis de vida (alimentação saudável, atividade física, meditação, prevenindo problemas de saúde; combate à receptação de bens roubados; combate ao consumo de drogas (mostrando como o comércio da droga financia o crime, além dos problemas sociais e de saúde). E muitas outras.

Os governos podem realizar as campanhas com método, utilizando as melhores técnicas de comunicação: definição dos públicos-alvos, criação das mensagens, estratégias de mídia e não-mídia. As campanhas vão unir, graças ao poder de articulação dos governos, veículos de mídia (que estarão propensos a apoiarem iniciativas dessa natureza), ONGs que atuam nas diversas áreas, ativistas dessas causas na internet, empresas (cada vez mais adeptas da responsabilidade social), além dos órgãos públicos ligados a cada questão.

Os cidadãos serão mobilizados e convidados a mudar hábitos e comportamentos. Trata-se de causas que já contam com grande simpatia popular. Pesquisas mostram que essas causas são demandas latentes de uma população que tem muita vontade de viver num patamar de cidadania superior ao atual. A adesão das pessoas deverá ser ampla (como ocorreu em episódios como o racionamento da água e da energia e na promoção da Virada Cultural Limpa, criada pela Fator F para a Prefeitura de São Paulo).

Na verdade, são temas tão óbvios que os cidadãos, na prática, esperam para ver quem será o agente a puxar o fio da meada e liderar esses avanços culturais. Os governos, com legitimidade, devem liderar esses esforços. Os ganhos de imagem para os governos serão consequência dos serviços prestados às pessoas — e, portanto, mais consistentes. A comunicação, dessa forma, será utilizada em seu potencial transformador da realidade, mobilizando as pessoas e induzindo a mudanças de comportamento.