quinta-feira, 16 de maio de 2013

A hora de calar

Criança gordaComo agir diante de temas sensíveis para a sociedade? Qual o impacto de uma declaração pejorativa? E a reação do público diante da linha de comunicação da empresa ou de seus representantes? Dois exemplos aqui colocados tratam da obesidade, uma preocupação mundial que atinge uma em cada 10 pessoas.

Correu o mundo nesta semana a declaração de Mike Jeffries, representante da marca esportiva Abercrombie & Fitch, de que não quer relacionar a imagem de suas marcas a “pessoas acima do peso”, por isso as confecções têm limitações na numeração e sua publicidade é voltada para pessoas “saradas”. O resultado disso foi uma manifestação de repúdio em massa. Webativistas postaram nas redes sociais fotos, textos e vídeos em reação ao discurso desastroso de Jeffries, como o exemplo ao final deste post.

Diretamente ligada ao excesso de peso de seu consumidor, a Coca-Cola Company encontrou no tema uma oportunidade positiva de mídia. A imprensa destacou o lançamento pela marca de um plano de combate à obesidade, com foco na comunicação. A empresa decidiu que deixará de fazer comerciais voltados para crianças abaixo de 12 anos. Também é prevista nesta nova política a reformulação dos rótulos que passarão a fornecer informações nutricionais e calóricas na frente da embalagem das bebidas.

O caso da Abercrombie & Fitch pode ser encarado como uma oportunidade de repensar a comunicação, avaliar o momento e o que é interessante dizer ao público. Segmentar faz parte do mercado, no entanto, ao excluir gordinhos de seu leque de consumidores, a A&F põe abaixo uma linha de comunicação com empatia, um dos requisitos básicos para que uma empresa de artigos esportivos se promova com sucesso. A Coca-Cola, por sua vez, agiu num ponto bastante sensível para a marca. Ao deixar de falar para o público infantil, a empresa transmite preocupação com a obesidade no mundo, em especial com os pequenos. E que os pais aproveitem essa decisão para repensar a alimentação de seus filhos!

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quarta-feira, 15 de maio de 2013

O português faz bonito na Internet

Luís de Camões

O português já é o quinto idioma mais usado na internet! A boa notícia veio da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e foi publicada esta semana, aqui no Brasil.  Nossa língua está atrás do inglês (565 milhões de usuários em 55 países), do chinês (510 milhões de pessoas na web e prestes a ocupar o primeiro lugar do ranking), do espanhol (165 milhões de usuários em 21 países) e do japonês (99 milhões). Com 83 milhões de internautas usando o idioma de Camões e Vinícius de Moraes, nossa língua deverá passar em poucos anos o japonês e se consolidar como o quarto idioma da web, à frente do francês e do alemão. E o motor dessa ascensão é o Brasil, onde vivem 90% dos falantes de português do planeta.

Outros estudos mostram que o brasileiro usa mais as redes sociais do que a média mundial. Podemos pensar que isso se deve a um fator cultural, que é o prazer em interagir com as pessoas. Alemães, japoneses ou chineses não têm a mesma desinibição dos brasileiros para se expor na rede e buscar interações. Ou seja, mais brasileiros usam a internet e de forma mais intensa. Há casos extraordinários, como o Orkut, rede mundial que foi praticamente tomada pelos brasileiros.

Torna-se óbvio, por esses e outros dados, a necessidade de empresas, instituições e pessoas públicas estarem presentes nas redes sociais. Mas é preciso estar presente da maneira certa, com a visão adequada, agregando valor às interações. Para isso, nós da Fator F Inteligência em Comunicação acreditamos no conceito da empatia e investimos na análise dos sentimentos e das necessidades que as pessoas expressam nas redes sociais para estabelecer a melhor comunicação possível, gerando relacionamentos de maior qualidade e mais duráveis.

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terça-feira, 5 de março de 2013

Uma sugestão aos governos

Esse post é uma sugestão para que governos em todos os níveis realizem, com mais frequência, campanhas de comunicação de efetivo interesse público. Para tanto, basta mobilizar o que os governos têm de mais poderoso: o prestígio e a capacidade de articulação. São ações que não precisam de verbas.
A ideia central é que mobilizem veículos de mídia, ONGs, órgãos públicos, ativistas sociais e empresas, assim como o universo da internet, em torno de causas de grande interesse público, transformadas em campanhas de comunicação.

Essas causas e campanhas podem ser definidas de acordo com as diretrizes de cada governo. São temas como, por exemplo, o descarte consciente do lixo (prevenindo enchentes, preservando o meio ambiente e tornando as cidades mais agradáveis); o combate ao consumo excessivo de álcool (problema de saúde pública relacionado à criminalidade, desagregação familiar e acidentes); promoção da saúde estimulando hábitos saudáveis de vida (alimentação saudável, atividade física, meditação, prevenindo problemas de saúde; combate à receptação de bens roubados; combate ao consumo de drogas (mostrando como o comércio da droga financia o crime, além dos problemas sociais e de saúde). E muitas outras.

Os governos podem realizar as campanhas com método, utilizando as melhores técnicas de comunicação: definição dos públicos-alvos, criação das mensagens, estratégias de mídia e não-mídia. As campanhas vão unir, graças ao poder de articulação dos governos, veículos de mídia (que estarão propensos a apoiarem iniciativas dessa natureza), ONGs que atuam nas diversas áreas, ativistas dessas causas na internet, empresas (cada vez mais adeptas da responsabilidade social), além dos órgãos públicos ligados a cada questão.

Os cidadãos serão mobilizados e convidados a mudar hábitos e comportamentos. Trata-se de causas que já contam com grande simpatia popular. Pesquisas mostram que essas causas são demandas latentes de uma população que tem muita vontade de viver num patamar de cidadania superior ao atual. A adesão das pessoas deverá ser ampla (como ocorreu em episódios como o racionamento da água e da energia e na promoção da Virada Cultural Limpa, criada pela Fator F para a Prefeitura de São Paulo).

Na verdade, são temas tão óbvios que os cidadãos, na prática, esperam para ver quem será o agente a puxar o fio da meada e liderar esses avanços culturais. Os governos, com legitimidade, devem liderar esses esforços. Os ganhos de imagem para os governos serão consequência dos serviços prestados às pessoas — e, portanto, mais consistentes. A comunicação, dessa forma, será utilizada em seu potencial transformador da realidade, mobilizando as pessoas e induzindo a mudanças de comportamento.

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